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RESUMO
Apresenta aspectos relacionados à tecnologia educacional, destacando a livre interpretação da autora quanto a alguns fragmentos da obra freiriana, traduzidos em citações. Aborda a emancipação docente, apresentando-a em substituição ao termo formação docente. Destaca a prática pedagógica na ótica da dialogicidade entre o educador e o educando. Aponta para a prática profissional de professores com base na necessidade da aprendizagem de conteúdos tecnológicos. Comenta resultados parciais de experiência, envolvendo a utilização do computador interligado à Internet, nas salas de aula e de informática.
INTRODUÇÃO
É evidente que Paulo Freire não desenvolveu uma teorização sobre tecnologia educacional. Então, como articular o pensamento de Freire ao processo de aprendizagem dos conteúdos tecnológicos pelo professor? Como o professor pode agir a partir de uma prática educativo-progressista em favor da autonomia do ser dos educandos?
Desse modo, se sabe que Freire (2007) ocupou-se em questionar o que é ensinar e o que significa conhecer através da sua crítica à escola tradicional já que para ele:
As relações educador-educandos [...] apresentam um caráter especial e marcante – o de serem relações fundamentalmente narradoras e dissertadoras. [...] Narração de conteúdos que, por isso mesmo, tendem a petrificar-se ou a fazer-se algo quase morto, sejam valores ou dimensões concretas da realidade. Narração ou dissertação que implica um sujeito – o narrador – e objetos pacientes, ouvintes – os educandos. (FREIRE, 2007, p. 65).
No contexto da referida contextualização teórico-conceitual, se faz uma breve análise sobre a tecnologia educacional como sendo fundamentalmente a relação entre a tecnologia e a educação, lançando-se mão da explicação de Lévy:
A técnica é um ângulo de análise dos sistemas sócio-técnico-globais, um ponto de vista que enfatiza a parte material e artificial dos fenômenos humanos, e não uma entidade real, que existiria independente do resto, que teria efeitos distintos e agiria por vontade própria. [...] É impossível separar o humano de seu ambiente material. (LÉVY, 1999, p. 22)
E mais adiante:
as tecnologias são produto de uma sociedade e de uma cultura.” Sendo “cultura (a dinâmica das representações), sociedade (as pessoas, seus laços, suas trocas, suas relações de força) e técnica (artefatos eficazes). [...] As verdadeiras relações, portanto não são criadas entre ‘a’ tecnologia (que seria da ordem da causa) e ‘a’ cultura (que sofreria os efeitos), mas sim entre um grande número de atores humanos que inventam, produzem, utilizam e interpretam de diferentes formas as técnicas. (LÉVY, idem, p. 22-23)
Tal relação se concretiza em conjunto dinâmico e aberto de princípios e processos de ação educativa, considerando como uma dimensão política da tecnologia educacional. e para Freire (2001) a educação é sempre um ato político, apesar de que sempre esteve a serviço das classes dominantes, nomeadamente na educação brasileira, em que o autoritarismo presente nas inabaláveis previsões fatais e infalíveis da racionalidade científica ou da razão instrumental e positivista.
É urgente e necessária a promoção da mudança de paradigma. Prescindindo, portanto, do protagonismo docente como agente de transformação do determinismo que se impõe aos processos educacionais. Então, há de se cuidar da profissionalização do professor para que seja contínua e progressista.
Desse modo, a discussão em torno da formação docente encaminha para a redefinição terminológica para o termo emancipação docente, metaforicamente para tirá-lo da fôrma, para emancipá-lo, implicando no tornar-se livre, independente frente ao conhecimento inicial e continuado.
Assim, o desafio da emancipação do profissional da educação, apresenta-se como alternativa, inserida na preparação ao mercado de trabalho e, prioritariamente, para o enfrentamento dos desafios decorrentes da evolução e da modernização do século XXI com reflexos nas práticas de educação escolar, implicando no planejamento da utilização dos artefatos tecnológicos na escola.
2 PAULO FREIRE: o que ele tem a ver com a tecnologia educacional?
Destaca-se, por meio de relatos e depoimentos em entrevistas, que Freire se manteve reservado frente aos efeitos causados pela modernização acelerada dos artefatos tecnológicos . Em contrapartida, como cidadão do mundo, não se manteve alheio a realidade das transformações tecnológicas afirmando que:
[...] nunca fui ingênuo apreciador da tecnologia: não a divinizo, de um lado, nem a diabolizo, de outro. Por isso mesmo sempre estive em paz para lidar com ela. Não tenho dúvida nenhuma do enorme potencial de estímulos e desafios à curiosidade que a tecnologia põe a serviço das crianças e adolescentes das classes sociais chamadas desfavorecidas. (FREIRE, 2006. p.87).
Destaca-se, por outro lado, a conhecida defesa de Freire pela escola de qualidade, em especial, da escola pública de qualidade. Enquanto, secretário de educação da cidade de São Paulo, na gestão da Prefeita Erundina, fez chegar à rede das escolas municipais o computador, bem como a promoção de programas de capacitação tecnológica do professor.
O computador na escola aliado a capacitação tecnológica docente, certamente contribui para a mudança do cenário já que a percepção da mudança [...] não decorre do simples fato da escola possuir computadores, mas sim da utilização dada à tecnologia por meio da ressignificação do ensinar e do aprender conteúdos curriculares com a utilização das ferramentas tecnológicas. (Santos, 2008). Lamentavelmente, as Novas Tecnologias (NTs ) nas escolas encontram professores que ainda:
- Confusos ou em conflito entre a satisfação em participar de uma realidade tecnológica, até pouco tempo futurística e entre a ansiedade pela descoberta da potencialidade da máquina; Com a sensação de não levar jeito com utilização dos artefatos tecnológicos; Com receio de enfrentar as mudanças causadas pela utilização do computador no ensino.
Todavia, para que as mudanças sejam exitosas o ambiente deve ser educativo, sendo capaz de impactar os conhecimentos aprendidos, assim como de desenvolver a autonomia ao pensamento crítico dos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. É nesse contexto da pós-modernidade que os profissionais da educação precisam atuar, em um cenário de novos desafios.
Cabe lembrar que ensinar não é transferir conhecimento. Desse modo, a atitude implica em sonhar sonhos possíveis, articulando o conhecimento tecnológico à profissionalização acadêmica do professor com práticas viáveis, visando a superação dos modelos tradicionais de ensino.
Renova-se, o cenário, incorporando os avanços tecnológicos aos processos da escola, em especial da sala de aula. Concordando-se, com Freire (idem, p.65) quando afirma “a prática do professor é especificamente humana, é profundamente formadora, por isso, ética” e mais “a natureza mesma de sua prática eminentemente formadora, sublinha a maneira como a realiza”.
Pontua-se que ao se abordar o caráter formador do professor, tem-se que percebê-lo incompleto, inacabado e em permanente aprendizado. Daí se afirmar que ensinar exige humildade, sendo entendida como um momento importante da prática professor, enquanto prática ética. E para Freire (ibidem) não se pode respeitar a curiosidade do educando, estando-se carente de humildade e da real compreensão do papel da ignorância na busca do saber, temendo-se revelar o desconhecimento de determinados conteúdos ou instrumentos.
Cita-se, desse modo, a aprendizagem mediada por computadores e a respectiva utilização dos seus aplicativos e periféricos.
Freire defende que a prática educativa “demanda a existência de sujeitos, um que, ensinando, aprende, outro que, aprendendo, ensina” (ibid.p.69). Portanto, situar o computador na perspectiva do espaço educativo é buscar respostas ao ensino voltado aos saberes das pessoas envolvidas no processo. Por conseguinte, é necessário repensar a abordagem em que o domínio dos conteúdos de aprendizagem pelo professor o preparam para a possibilidade do aluno trazer conhecimentos que ele ainda não domina.
É fundamental, portanto, um profissional capacitado para interagir e para aprender com o aluno nessas situações já que o aprender a aprender com os alunos cria um ambiente colaborativo, redefinindo a relação pedagógica com base no diálogo e na troca.
2.1 A educação problematizadora e a utilização das novas tecnologias: uma alternativa à concepção bancária.
Silva (2003, p. 59) afirma que para Freire “conhecimento é sempre conhecimento de alguma coisa. Isso significa que não existe uma separação entre o ato de conhecer e aquilo que se conhece,” desse modo, “é sempre uma intencionalidade”.
E, mais adiante “O ato de conhecer envolve fundamentalmente o tornar presente o mundo para consciência.” (SILVA, idem). O professor se destaca em sua prática educativo-progressista, estando a favor da autonomia do ser dos educandos já que exige uma prática em tudo coerente com os saberes dos alunos, independentemente da faixa etária do aluno, da classe social a que ele pertença, da sua cor de pele ou da sua linguagem.
Nesse contexto, o professor reconhece a sua incompletude na tomada de consciência crítica para, a partir daí, estabelecer a dialogicidade com os seus alunos, enquanto seres humanos inconclusos. Esses “sujeitos dialógicos aprendem e crescem na diferença, sobretudo, no respeito a ela, é a forma de estar sendo coerentemente exigida por seres que, inacabados, assumindo-se como tais, se tornam radicalmente éticos.” (FREIRE, ibid. p.60).
Ser ético, portanto, é lutar contra o desrespeito dos poderes públicos pela educação, bem como combatendo posturas antiprofissionais, para tornar-se um profissional idôneo, exercendo com competência o seu ofício e organizando-se em lutas políticas em prol da aprendizagem permanente e continuada, em prol de melhorias salariais e das condições de trabalho. Assim,
A sala de aula não pode ser percebida hoje do mesmo modo que a percebia quem aprendia o mundo basicamente através dos livros e da tradição oral. A capacitação da realidade através das NTs potencializa o desenvolvimento multissensorial, afetivos e intelectual dos indivíduos inseridos nos sistemas de informação, o que demanda novas pesquisas relativas ao fenômeno educativo. (COSTA, 2004, p. 112)
Retomando-se Silva (idem) “o ato de conhecer não é, entretanto, para Freire, um ato isolado, individual. Conhecer envolve intercomunicação, intersubjetividade.” O professor desenvolve a sua prática educativo-progressista, tendo disposição para estudar, considerando a necessidade de estudo constante reforçado pela prática da pesquisa, pois assim, a humanidade pode usufruir de conhecimentos e habilidades, que inevitavelmente ampliam a capacidade crítica e criativa do professor, livrando-o da tendência à cópia e à reprodução de conhecimentos prontos.
3 A PESQUISA COMO FERRAMENTA NO ENSINO: os saberes docentes no contexto da educação problematizadora
“Não há pesquisa sem ensino e ensino sem pesquisa” (FREIRE, op.cit, p. 32), desse modo, a pesquisa inserida na prática docente, enquanto docência emancipada, autônoma e comprometida com a real aprendizagem do educando.
Assim, Freire (idem) não dissocia a pesquisa do ato de ensinar, já que “faz parte da natureza docente a indagação, a busca e a pesquisa”. Assim, o exercício da docência constrói o professor, mediante a pesquisa e, por isso, pode ser considerado um pesquisador no contexto da diversidade do saber que deve ser depositário.
A diversidade e o pluralismo do saber docente são exemplificados com Tardif:
Quando questionamos os professores sobre seu saber, eles se referem a conhecimentos e a um saber-fazer pessoais, falam dos saberes curriculares, dos programas e dos livros didáticos, apóiam-se em conhecimentos disciplinares relativos às matérias ensinadas, fiam-se em sua própria experiência e apontam certos elementos de sua formação profissional. Em suma, o saber dos professores é plural, compósito, heterogêneo, porque envolve, no próprio exercício do trabalho, conhecimentos e um saber-fazer bastante diversos, provenientes de fontes variadas e, provavelmente, de natureza diferente. (TARDIF, 2002. p. 17-18)
Sendo assim, é pertinente afirmar que a aprendizagem dos conteúdos pelo professor implica em um devir constante, inserida na perspectiva do professor investigador, priorizando a investigação como método.
Desse modo, acredita-se ser possível articular o pensamento de Freire e a aprendizagem docente dos conteúdos tecnológicos. Apresentando-se como alternativa a pesquisa de estratégias inovadoras com base na prática docente para tornar-se uma prática educativo-progressista em favor da autonomia do ser dos seus educandos.
É necessário, portanto, emancipar a ação docente, tornando-a livre, independente frente ao conhecimento inicial e continuado obtido na academia, ou fora dela, em um processo de busca contínua no combate a educação bancária na educação. E finalmente, ainda de acordo com Freire:
a ideologia fatalista, imobilizante, que anima o discurso neoliberal anda solta no mundo. Como ares de pós-modernidade, insiste em convercer-nos de que nada podemos contra a realidade social que, de história e cultural, passa a ser ou a virar ‘quase natural’. Frases como ‘a realidade é assim mesmo, que podemos fazer? Ou o ‘o desemprego no mundo é uma fatalidade do fim do século’ expressam bem o fatalismo desta ideologia e sua indiscutível vontade imobilizadora. Do ponto de vista de tal ideologia, só há uma saída para a prática educativa: adaptar o educando a realidade que não pode ser mudada. O de que se precisa, por isso mesmo, é o treino técnico indispensável à adaptação do educando, à sua sobrevivência. (FREIRE, 2006, p.19-20)
3.1 A educação problematizadora: algumas estratégias para uma prática educativo-progressista articulada aos conteúdos tecnológicos.
A opção pela educação problematizadora impõe compromisso com a libertação dos homens, desse modo, implica em não aliená-los ou mantê-los alienados por meio da educação. Trata-se da “libertação autêntica, que é a humanização em processo, não é uma coisa que se deposita nos homens. Não é uma palavra a mais, oca, mitificante. É práxis, que implica a ação e a reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo.” (FREIRE, 2007, p. 77).
A educação problematizadora não pode ser “o ato de depositar, ou de narrar, ou de transferir, ou de transmitir conhecimentos e valores aos educandos, meros pacientes, à maneira da educação bancária, mas um ato cognoscente.” (idem, p.78). A educação problematizadora coloca o ato de conhecer como a superação da contradição da dicotomia educar-aprender. Tal superação impõe uma relação dialógica em torno do objeto cognoscível, ou seja, o objeto passível de ser conhecido.
Apresenta-se o desafio do aprender e do ensinar os conteúdos tecnológicos a partir de uma práxis, em que a ação e a reflexão, sobre tais saberes possam transformá-los em objetos passíveis de serem conhecidos pelo educador e pelos educandos, inserindo o saber na academia – que torna o professor um profissional da educação – para que em um devir – o docente possa ser o mediador do aprendizado na sala de aula.
Fica claro que, o educador não deve simplesmente demonstrar como fazer, pois assim estaria tirando do educando a chance de explorar, experimentar e descobrir sozinho. Por outro lado, deve ajudá-lo a levantar hipóteses, propor situações onde se espera que busque informações, perguntando, por exemplo: como posso fazer?; como posso mexer?; como refazer?.
Assim, no uso pedagógico do MS-Word, editor de textos da Microsoft, por exemplo, se faz várias intervenções por meio de questionamentos que possibilitem a expressão e, concomitantemente, oportunizem a observação das respostas e das hipóteses utilizadas na resolução de problemas. Então, uma intervenção possível do educador seria perguntar: o que será que acontece se nós clicarmos no botão? Quem quer tentar? O que aconteceu? Ao invés de definir assim: agora, clique no botão e observe que vai aparecer uma instrução no balão da gravura.
Defende-se, desse modo, que o MS-Word é um software educativo na medida em que é identificada a concepção teórica de aprendizagem que o orienta, pois deve ser pensado segundo uma teoria sobre como o sujeito aprende, como ele se apropria e constrói o seu conhecimento. Daí, se afirmar que o MS-Word torna-se um instrumento pedagógico que possibilita a elaboração de textos com boa apresentação a partir de diversos recursos disponíveis.
O aplicativo possibilita a utilização da ferramenta de correção ortográfica eletrônica em português ou em outros idiomas, configurando-se em um programa de autoria de documentos que ajuda a criar e compartilhar documentos de ótima aparência, combinando uma série abrangente de ferramentas de escrita com uma interface de usuário fácil de usar.
Nestes termos, destaca-se com Fino (1999, p.5) que o educador deve considerar como “ponto de entrada na avaliação de software ‘educativo’ […] saber-se quem conduzirá as operações, uma vez posto o programa a correr: o computador ou o aprendiz?”. Desse modo, Fino (idem.) destaca a importância do contexto da aprendizagem criados com a exploração do software, apoiando-se na defesa de contextos educativos.
Neste ponto, retoma-se a utilização do MS-Word como instrumento pedagógico, articulando-o com a noção de contexto educativo. O emprego do computador como ferramenta educacional em que o educando resolve problemas significativos através do uso de processadores de texto, planilha eletrônica ou mesmo uma linguagem de programação que favoreça uma aprendizagem ativa, ou seja, que propicie a construção de conhecimentos a partir de suas próprias ações – físicas ou mentais.
A atitude do educador não apenas promove, mas favorece a criação de um ambiente colaborativo em que a sua presença mediadora possa ser exercida com a alegria do ensinar e do aprender. Assim, aponta-se que os educadores necessitam desenvolver a sua prática, tendo disposição investigar e aprender sempre.
A necessidade de estudo constante, reforçada pela prática da pesquisa torna-o consciente do seu papel libertador do homem já que o aprender passa a ser um instrumento de libertação e não de domesticação, já que assim inevitavelmente ampliará a capacidade crítica e criativa do educador e do educando, livrando-os da reprodução mecânica, apontada anteriormente.
4 OS ARTEFATOS TECNOLÓGICOS: análise concreta de um caso de utilização do computador na sala de aula
Verificam-se que os docentes possuem dificuldades em lidar com os artefatos tecnológicos disponibilizados como recurso didático. Fica claro, então, que ao identificar dificuldades é necessário apontar possibilidades de trabalho como, a exemplo, da utilização do computador conectado à Internet em sala de aula.
Por outro lado, destaca-se a facilidade de acesso a Internet por meio da modalidade de Ensino a Distância já que suas vantagens são conhecidas e sua eficácia indiscutível, representando uma alternativa de abordagem e disseminação e construção do conhecimento que aliada à Internet e seus recursos disponíveis, proporciona aplicações em todas as áreas.
Em contrapartida, uma proposta teórico-prática pretendida por meio da utilização da tecnologia em sala de aula tem que ter consistência metodológica. O cenário educacional, entretanto, carece de precisão quanto a necessária adequação do processo de utilização dos artefatos tecnológicos, considerando que nem sempre encontram-se equilibrados os investimentos em pessoas e em equipamentos.
A proposta de utilização do computador na sala de aula prescinde da atuação docente como usuário competente das ferramentas tecnológicas disponibilizadas na escola. Além disso, serve como um diferencial metodológico e como possibilidade de estímulo à aprendizagem continuada e em serviço, considerando a necessidade do professor em aprender a utilizar o computador como um usuário qualificado.
Nesses termos, o docente como usuário competente, insere-se no contexto da sua capacidade de ensinar por meio da utilização consciente das NTs, a exemplo de qualquer outro instrumento de ensino. Desse modo, a mais simples ferramenta até a mais altamente elaborada, dependerá de quem a usa e de como isso é feito, cabendo ao professor como aprendiz a responsabilidade de ampliar a sua capacidade de aprendizagem e, concomitantemente conseguir fazer a mediação entre o ensinar o seu componente curricular ao seu aprendiz.
A noção de educação problematizadora é preservada por meio do trabalho conjunto do educador e do educando, para tanto, torna-se necessário a exploração dos contextos da sala de aula. Isto significa desenvolver intuições, hipóteses e verificá-las. O professor deve destacar os princípios comuns entre contextos, comparando-os, mostrando o problema de diferentes perspectivas.
Até porque o computador, enquanto máquina precisa de comandos para funcionar, precisa de aplicativos (softwares) para receber os comandos e executar as tarefas. Além disso, as NTs proporcionam motivação aos alunos, despertam o interesse pela pesquisa e interação, favorecendo trocas colaborativas de conhecimentos por meio da Internet.
Desse modo, a escola passa a ser uma comunidade educativa que desenvolve projetos colaborativos, usando situações de aprendizagem por meio da criação de contatos pessoais e amizades na rede, favorecendo a formação de grupos em redes sociais, fóruns, aplicativos de mensagens instantâneas (msn, messager, blogs e google talk), numa nova dinâmica de aprendizagem.
Por outro lado, apontam-se os cuidados com segurança e outras considerações quanto às implicações e problemas decorrentes da inadequada utilização desses mecanismos. A sala de aula transforma-se em uma comunidade de investigação como espaço para vivenciar o fazer pedagógico como uma ação coletiva que colabora com os processos individuais de aprendizagem.
Através do diálogo e da manipulação da informação e do conhecimento, seus integrantes podem discutir as questões essenciais sobre o que fazem e o que desejam fazer, sobre o que pensam e como pensam, enquanto compreendem e conhecem o mundo que a escola veicula.
A abordagem é fazer interpretações da realidade, auxiliados pela pesquisa e pela interpretação de imagens. A pesquisa em sites de busca pode atender a amplos objetivos e auxiliam na leitura, interpretação, análise e capacidade de síntese da informação. Tais procedimentos atendem ao aspecto da flexibilidade, da necessária crítica aos ritmos das mudanças impostas pelas novas tecnologias, favorecendo promoção social e inclusão digital.
As tecnologias estão em constante aperfeiçoamento e diversificação, devendo ser decodificadas e interpretadas criticamente por professores, criando habilidades relacionadas a compreensão do mundo por meio da manipulação das tecnologias.
4.1 Caracterização da realidade observada: os cantinhos e o laboratório de informática
Destacam-se salas de aula observadas e que elas possuem cantinhos, na Educação Infantil (Cantinhos de Informática e de Leitura) e no 1º ano do Ensino Fundamental (Cantinho de Leitura). O termo cantinho se apresenta pouco fundamentado metodologicamente, considerando a ação realizada no local pelo professor e alunos.
A terminologia cantinho é inadequado já que canto é um “lugar retirado, ou onde se costuma ficar” e, desse modo, observou-se que a mesa do computador não se encontrava no canto, mas próximo à porta da sala de aula. Ao mesmo tempo, acredita-se que, simbolicamente, o computador pode ser deixado no canto (significando o mesmo deixar de lado).
O mesmo procedimento de ‘deixar de lado’ é evidenciado com o Cantinho da Leitura, considerando que ele se encontra afixado na parede das salas de aula, visando utilização como recurso didático com e pelas crianças, no entanto, alguns se encontram sem livros e pouco utilizados na rotina da sala de aula.
O Cantinho de Informática passe ser uma Estação de Trabalho, considerando que estação é um “lugar destinado a uma atividade específica”. Por sua vez, o trabalho significará a execução de atividades pela professora e alunos em uma Estação de Trabalho no terminal (computador) interligado à rede. A Estação de Trabalho e o ‘Cantinho de Leitura’ são recursos didáticos, dando suporte a aprendizagem concreta e acessível na sala de aula.
As situações observadas reforçam que a Internet é utilizada como fonte de informação, através de mecanismos de busca, no momento de pesquisas escolares, a exemplo da atividade transcrita abaixo :
Tarefas:
1. Pesquisar sobre Pontilhismo (período do movimento, representantes e o que é);
2. No Paint – usar a técnica do Pontilhismo;
3. Pesquisar sobre o pensamento hipotético (o que é, exemplos, como ocorre);
4. Pesquisar sobre M.M.C e M.D.C;
5. Pesquisar sobre as fontes de calor e magnetismo.
Outras situações evidenciaram a utilização dada ao Laboratório de Informática:
- Aonde estão os computadores para utilização, mediante horários pré-definidos na programação semanal e para atividades de pesquisa na Internet;
- Para pesquisas na Internet, muitas vezes, realizadas no contexto de práticas inadequadas (aspecto da propriedade intelectual da informação) quanto ao fenômeno CTRL + C e CTRL + V.
- Em que ficam os especialistas que produzem conteúdos didáticos aos professores ou aonde se produz notícia para a página eletrônica da escola;
- Aonde são trazidos alunos que se encontram com horário livre, em decorrência da ausência de algum professor na sala de aula/escola etc.
As atividades acima são realizadas no Laboratório de Informática da escola. Daí, destacam-se aspectos importantes quanto a impropriedade na utilização dos termos laboratório e informática.
Informática é uma “ciência que se dedica ao estudo do tratamento da informação mediante o uso de dispositivos de processamento de dados” (AULETE, 2004. p.451) e laboratório, por sua vez, é “lugar equipado para a realização de pesquisas científicas ou industriais, preparo de medicamentos, trabalhos fotográficos etc” (idem, p. 480).
A impropriedade reside na utilização dada ao local, bem como, nas lacunas entre o significado dos termos e no que de fato se realiza no Laboratório de Informática. O termo Sala de Informática, apesar de ainda pouco apropriado, se aproxima mais das estratégias de trabalho executadas no local, aproximando-se da utilização dada aos outros espaços para realização de atividades curriculares: salas de aula, sala da biblioteca, sala de vídeo, sala de Artes, sala do auditório, sala de espera etc.
A denominação Sala de Informática é inserida no contexto da estruturação dos espaços escolares, desse modo, distribuem os saberes disciplinares de forma fragmentada, promovendo a dicotomização entre o ensinar e o aprender, característicos das posturas condutistas.
Assim, denuncia um processo de ensino e aprendizagem ritualizado, se mostrando inadequado à educação problematizadora. Faz-se necessário a reestruturação do contexto, visando surgir um novo cenário, prescindindo de desenhos novos frente ao paradigma pós-moderno.
Nesse cenário o desenho da antiga sala de aula com seu quadro negro ou branco e carteiras enfileiradas é quebrado pela defesa da não-linearidade da relação entre professor versus aluno versus conhecimento, possibilitando a inclusão do computador como suporte dinâmico a formulação de hipóteses para responder as diferentes perguntas frente ao desafio de compreender o mundo, diferindo do:
Modelo inspirado literalmente nas fábricas de forma a que os alunos, quando nela entrassem, passassem imediatamente a ‘respirar’ uma atmosfera de elementos e de significações que se revelam ser muito mais importantes e decisivos. (SOUSA E FINO, 2001, p.373)
Além disto, a inserção do computador na sala de aula favorece a eqüidade de papéis, considerando o aspecto dificultador da “separação de professores, por um lado e alunos, por outro” (SOUSA E FINO, idem) e do mesmo modo ocorre colocando-se os recursos didáticos separadamente estando à serviço do professor de um lado e a execução de tarefas pelos alunos de outro não será favorecida a utilização das ferramentas computacionais e do acesso à informação on line com suas mídias e imagens diversificadas, por exemplo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Coerente com a teoria freiriana, da incompletude humana, do devir permanente, do mesmo modo, apresenta-se as considerações finais desse texto. Coerente também com as afirmativas anteriores, defende-se esse espaço como o espaço da criação, da escrita, do fazer dialético e da expressividade das idéias, antes presas à mente da autora, agora compartilhadas com seus pares a espera da crítica que constrói e reconstrói saberes.
A livre interpretação pretendida na autora desse texto assemelha à mera compilação do pensamento freiriano e, sim pretende interpretar no sentido, no assimilar, no valorar e no reconhecer as muitas possibilidades da obra de Paulo Freire que estimula e emancipa a ação docente.
Desse modo, inspira-se nele para ousar introduzir novos termos, a exemplo, da palavra emancipação utilizada como alternativa ao termo formação docente. Destaca, por isso, a prática pedagógica como dialogicidade entre o educador e o educando na descoberta, na investigação e na produção de conhecimento.
A prática profissional dos professores é nomeadamente destacada na aprendizagem de conteúdos tecnológicos no contexto das novas tecnologias que ampliam a capacidade de armazenamento de informações e potencializa a velocidade de comunicação e da transferência de dados.
A defesa pela postura do professor, portanto, é de observador atento e participante, uma vez que deve propor desafios e também incentivar o grupo. Por isso, deve estar sempre por perto não só para tirar dúvidas, mas também para através de questionamentos, levar o grupo a refletir sobre o que produz – para levantar hipóteses, testar alternativas, sistematizando seu próprio conhecimento em que a abordagem para a utilização do computador é como ferramenta de aprendizagem.
Quanto a profissionalização docente que seja inicial, continuada e em serviço, recomenda-se melhor definição quanto a oferta dos cursos de modo a prevê:
- Critérios quanto a carga horária, o período de aplicação, a boa seleção do docente que ministra conteúdo ao docente-aprendiz;
- Incluir, obrigatoriamente, cursos na área tecnológica, priorizando a demanda interna dos processos;
- Utilizar o acesso democratizado da Internet aos professores em prol da produção e divulgação de conteúdos didático-pedagógicos;
- Ofertar cursos através da Internet;
- Elaborar a programação anual, incluindo aspectos teórico-metodológicos com vivências e troca de experiências.
Assim, o ato de ensinar prescindirá da boa aprendizagem do docente enquanto detentor de formação inicial e constante aprendiz em cursos continuados e em serviço. Inclusive, o docente enquanto sujeito-aprendiz da experiência profissional adquirida no exercício da docência. Quanto a questão dos conteúdos a serem ensinados, afirma-se que devem está definidos no Projeto Político Pedagógico da escola.
Sabe-se que a didática tradicional transforma o professor em simples transmissor de conteúdos ou então como um modelo “a ação não é solicitada do aluno antes de ter visto o professor executá-la” (LIMA, 1980, p.107). Então, o fato da escola possuir apenas um computador na sala de aula não estaria limitando a utilização do equipamento pelo aluno, já que a relação quantidade de máquina versus alunos não é diretamente proporcional.
Ainda quanto a questão da aprendizagem “só se adquire noções e aprende-se uma operação manipulando a realidade” e mais “ nenhum avanço pedagógico representa a técnica de demonstração, tida como última palavra da didática. Sem atividade do aluno [...]” (LIMA, idem, p.107).
As afirmativas supracitadas confirmam que “o aluno tem pelo ensino um interesse diretamente proporcional ao grau de atividade que se permite desenvolver”. Daí, a defesa que o computador na sala de aula redefine o cenário da sala de aula. Desse modo, a sala enquanto espaço físico, virtual e globalizada. Redefinida na dimensão temporal e dinâmica do conhecimento que não se encontra estático no livro didático, no cartaz, na folha de tarefas.
O planejamento das atividades possibilita agilidade ao professor consciente de que sozinho não dará conta do ensinar já que aprender algo de uma só forma representa um grande perigo para a aprendizagem. Então, o computador enquanto recurso atende às necessidades de mudanças, inclusive impõe aprendizagem permanente do professor, considerando-se as inovações tecnológicas.
Por fim, aponta-se para novas investigações quanto ao currículo articuladas ao planejamento de atividades desenvolvidas para e pelos professores e alunos. Desse modo, amplia-se a compreensão dos processos reguladores da utilização do computador como ferramenta facilitadora dos processos de ensino e da aprendizagem na sala de aula.
Ressalta-se que a correta articulação do administrativo e pedagógico refletirá na atuação profissional dos atores responsáveis pela execução dos processos, sendo gradativamente ampliados para a equipe da supervisão pedagógica. Tal é a função estratégica de planejamento das ações e seu desdobramento na sala de aula.
A defesa da sistematização do trabalho docente, mediante planejamento dos processos de utilização do computador na rotina das salas de aula e de informática. Espera-se a regularidade das ações, a correta articulação das atividades planejadas para utilização da Estação de Trabalho na sala de aula.
O professor deve receber apoio das demais pessoas da equipe pedagógica, considerando as possibilidades das seguintes estratégias:
1. A necessária execução de Projetos Pedagógicos;
2. A instalação de Estação de Trabalho com terminal interligado a rede nas salas de aula;
a) Cada Estação de Trabalho em sala de aula seja planejada para operar em médio prazo para possuir: 1 terminal de acesso interligado a Internet; Cada terminal equipado com 1 monitor LCD 17”, 1 teclado, 1 mouse e 2 caixas de som;
b) 1 Ory-PC Expancion : 01 Hardware com as seguintes características:
- Parte frontal: Luzes indicativas de Força;
- Rede e Comunicação com o Micro-Computador Parte de traseira:
- 01 fonte conversora de energia, com cabo, tendo característica de: entrada 100-250 V~, 50-60 Hz, 0,3ª e saída de +5 V , 2.0A;
- 01 CD com software de instalação e configuração.
• A montagem de um núcleo de gerenciamento responsável pelas Estações de Trabalho das salas de aula, conforme abaixo:
a) 1 servidor com memória Ram de 2 GB, HD 80 Gb, processador Duoal Core, placa de vídeo de 64 kbps com aceleração 3D, teclado, monitor LCD 15” e mouse; Sistema Operacional Windows XP;
b) Elaboração de planejamento com previsão de investimentos em pessoas e equipamentos;
c) Estabilidade funcional do pessoal técnico.
Cabe, destacar que as especificações e recomendações do fabricante devem ser observadas na aquisição de equipamentos, considerando que as evoluções na área da informática passam por constantes avanços.
Quanto aos softwares do servidor, indica-se a aquisição de apenas uma licença do Sistema Operacional Windows XP, visto que os terminais das Estações de Trabalho em sala de aula dispensam a utilização do Sistema Operacional por utilizarem o computador que serve de servidor.
É certo que o acesso aos artefatos tecnológicos e a permanência deles na escola dependem de investimento em infra-estrutura, tais como: pontos de entrada na rede, a quantidade de equipamentos disponíveis, a produção e o armazenamento da informação, além do necessário investimento em pessoas, seguidos dos sentimentos de incompetência e desqualificação frente à tecnologia.
Situa-se a necessária transposição dos obstáculos institucionais, políticos e culturais (Lévy, 1999). Desse modo, destaca-se o investimento financeiro, sendo necessário situá-lo, no contexto de que se torna cada vez mais barato e, por isso, acessível a conexão à Internet – dada a democratização do acesso.
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