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RESUMO: Mostra como fazer um projeto de leitura na biblioteca para o 1° ano e 1ª série do 2° ano do ensino fundamental. Destaca a importância da leitura no contexto escolar e o papel que a biblioteca infantil exerce como instrumento de apoio à aprendizagem. Tem como respaldo teórico Paulo Freire, Piaget, Carol Kuhlthau e outros que comungam com a área da leitura.
PALAVRAS-CHAVE: Leitura. Projeto. Biblioteca escolar.
1 INTRODUÇÃO
A leitura sempre assumiu um lugar de destaque no contexto escolar. Professores, pedagogos, bibliotecários, psicólogos e pais reforçam que a leitura é um “passaporte” para o aprimoramento do conhecimento.
Sabe-se que o ensino, por si só, não consegue alcançar seus propósitos maiores se estes não estiverem acompanhados da prática efetiva da leitura. Pode-se dizer, que nenhum professor é capaz de esgotar um assunto em sala de aula. Cabe então ao aluno buscar a complementação em outras fontes, agindo como sujeito do processo ensino-aprendizagem. Essa leitura não se dá somente para preencher lacunas, mas também para que o aluno perceba que a busca em outras fontes o levará à novas descobertas.
Dessa forma, sendo a biblioteca escolar um local de estudo, de pesquisa, de leitura é que se objetiva neste artigo mostrar como fazer um projeto de leitura na biblioteca para alunos das primeiras séries do ensino fundamental. Além desse, procura-se apresentar a importância da leitura e o papel que a biblioteca infantil exerce como instrumento de aprendizagem.
Assim, para alcançar esses objetivos, procura-se buscar os fundamentos teóricos em fontes bibliográficas, tendo como apoio basilar Paulo Freire, Piaget e a professora/bibliotecária Carol Kuhlthau
2 IMPORTÂNCIA DA LEITURA E O PAPEL DA BIBLIOTECA ESCOLAR
Repetir a tão conhecida frase de Monteiro Lobato “Um país se faz com homens e livros” parece cair no lugar-comum. Porém, com uma leitura atenta pelas entrelinhas dessa frase percebe-se o autor desejoso por reforçar que a leitura é muito importante na vida dos homens e que um país para se desenvolver precisa de “homens leitores”. Homens que buscam na palavra escrita o verdadeiro conhecimento para direcionar tanto sua vida pessoal como social.
Essa leitura da palavra escrita não acontece de forma isolada, no dizer de Freire (1992, p.11) o ato de ler:
[...] não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele.
Nesse sentido Luckesi et al. (1991, p.124) reforçam que “as palavras nascem com o mundo e somente possuem sentido na medida em que carregam o mundo dentro de si ou, como nos diz Paulo Freire, na medida em que estiverem ‘grávidas do mundo’”. Na verdade existe um “antes”, uma leitura de mundo que circulou através da palavra para se ligar a um “depois”. Esse depois é a comunicação e transmissão da “palavra escrita” que se torna fonte de conhecimento para outras novas leituras.
Na busca desse conhecimento [...], percebe-se que quanto mais cedo o homem iniciar, mais cedo germinará bons resultados. Ou seja, a infância como fase especial de evolução e formação do ser, deve despertar-lhe para este mundo, o mundo da simbologia, o mundo da leitura (DE PAULA; DE PAULA; SILVEIRA, 2001, p.4, grifo nosso).
Diante dessa premissa, pode-se dizer que o professor tem um papel imprescindível na orientação do aluno para compreensão leitora, principalmente na fase do primeiro ciclo do ensino fundamental, isto porque, a criança encontra-se aberta e pré-disposta para descobrir tudo o que envolve seu mundo imaginário e sensorial. O professor imbuído de “sabedoria pedagógica” adotará um ensino mais agradável e produtivo dos quais cita-se: trabalho com ilustrações (desenhos, fotos, retratos, mapas etc.), produção de textos, caminhada de leitura, notícias de jornais, jogos, música, cartaz etc.
Neste caso, o trabalho de leitura e escrita são parceiros do processo discursivo e de produção de sentido. Aliam-se também a eles, o processo interdisciplinar que vai somar a esses, outros novos conhecimentos.
Considerando-se a importância da leitura, a biblioteca escolar tem um papel relevante dentro do contexto educacional. Pode-se dizer que ela é uma das forças educativas mais poderosas de que dispõem seus usuários: estudantes, professores e pesquisadores.
É possível ainda dizer, que a biblioteca escolar deve ser vista como um espaço de trocas e de experiências leitoras. Além disso, é um espaço de produção cultural/educativa onde a pesquisa e a informação vão desencadear a produção do conhecimento.
Vale ressaltar que o acervo da biblioteca escolar deve possuir um número significativo de literatura infanto-juvenil indo desde os clássicos até os mais modernos. Isto porque o público infantil precisa “passear” por diferentes temas e estilos que o estimulem ao gosto e ao prazer da leitura.
Em síntese, a leitura é necessária porque tudo agora é leitura: de pensamentos, de imagens, de gestos, de vozes, de movimentos etc.
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DE UM PROJETO DE LEITURA NA BIBLIOTECA
Todo projeto é uma carta de intenções. Essa intenção perpassa por questões como: o que? (tema), por quê? (justificativa), para quê? (objetivos), como (metodologia), com quê? (recursos materiais) e com quem? (pessoas envolvidas).
O tema é o assunto que se deseja provar ou desenvolver. Em geral, o título representa o tema do projeto.
A justificativa expõe os motivos que levam o professor/pesquisador a desenvolver o tema específico e não outro qualquer. Compõe a justificativa, a importância (social, prática, científica etc.); a oportunidade (se é apropriada para aquele momento); bem como a viabilidade (custo do projeto e acesso às informações).
Os objetivos destacam o que se pretende alcançar.
A metodologia mostra como será feita a pesquisa. Indica de forma pormenorizada os passos que serão realizados para alcançar os objetivos propostos.
Os recursos destacam as pessoas que serão envolvidas com o projeto e também os materiais necessários para a sua execução.
A avaliação pode ser formativa e/ou diagnóstica O professor responsável pelo projeto deve avaliar os pontos fortes e fracos da proposta, pois ele deve intervir para que alcance resultados proveitosos.
O cronograma dispõe as atividades e o período de realização de cada etapa do projeto.
As referências incluem as obras consultadas.
A estrutura do projeto, de modo geral, obedece as mesmas indicações usadas para a elaboração de um projeto pedagógico. Um ou outro item pode ser incluído ou retirado conforme a situação ou propósito do mesmo.
Vale lembrar que para a elaboração de um projeto sobre “leitura na biblioteca” o professor não deve esquecer-se do esquema dos quatro estágios de desenvolvimento cognitivo de Piaget, a saber:
- Sensório motor - de 0 até os 2 anos - anterior a linguagem, a criança desenvolve a percepção de si mesmo e dos objetos a sua volta;
- Pré-operacional – dos 2 aos 7 anos – capacidade de dominar a linguagem e a representação do mundo por meio de símbolos;
- Operações concretas – dos 7 aos 11 anos – surge a lógica nos processos mentais e a habilidade de discriminar os objetos por similaridade e diferenças;
- Operações formais – dos 12 anos – domínio do pensamento lógico dedutivo; relaciona conceitos abstratos e raciocina sobre hipóteses (GRANDES pensadores, 2008).
Mediante esses estágios, o professor irá traçar as atividades que irão nortear seu trabalho na biblioteca.
Para Kuhlthau (2004, p.16) “dependendo do nível de desenvolvimento do aluno e da proposta pedagógica da escola, o programa [ou projeto] poderá incluir crianças menores de quatro anos e avançar além dos 14”.
Considerando-se a relevância da proposta da professora Kuhlthau (2004) no seu livro “Como usar a biblioteca na escola” expõe-se a estrutura do seu programa que está dividida em três fases:
A FASE I – Preparando a criança para usar a biblioteca – [...] período inicial de escolarização até sua alfabetização, ou seja, dos quatro aos sete anos. Subdivide-se em duas etapas:
- A 1ª etapa – Conhecendo a biblioteca – [...] destina-se a crianças de quatro a seis anos. [...] Ela se familiariza com os espaços da biblioteca e começa a se interessar pelos livros do acervo.
- A 2ª etapa – Envolvendo as crianças com livros e narração de histórias – destinada a crianças de seis a sete anos [...] nesse momento a criança vai se envolver mais profundamente com os livros, principalmente através da escuta de histórias.
A FASE II- Aprendendo a usar os recursos informacionais –[...] destina-se a alunos de sete a dez anos. [...] Subdivide-se em quatro etapas, [...]:
- 1ª etapa – Praticando habilidades de leitura, para crianças de sete anos.
- 2ª etapa – Expandindo os interesses de leitura, para crianças de oito anos.
- 3ª etapa – Preparando para usar os recursos informacionais de maneira independente, para alunos de nove anos.
- 4ª etapa – Buscando informação para trabalhos escolares, para alunos de dez anos.
A FASE III – Vivendo na sociedade da informação compreende as séries finais do ensino fundamental (5ª a 8ª), envolvendo alunos de 11 a 14 anos. [...] Esta fase é subdividida em duas etapas [...]:
- 1ª etapa – Usando os recursos informacionais de maneira independente, para alunos de 11 a 12 anos.
- 2ª etapa – Entendendo o ambiente informacional, para alunos de 13 a 14 anos. (KUHLTHAU, 2004, p. 16-18, grifo da autora)
Como se vê a autora dividiu o programa em fases e dentro destas, etapas que correspondem à idade do aluno.
Ressalta-se que as obras literárias que servirão de apoio para a leitura na biblioteca devem ser previamente selecionadas pelo professor. Estas podem ser constituídas de vários gêneros textuais como: contos de fada, lendas, contos populares etc. Após a seleção o professor deve elaborar um roteiro sobre o que será explorado naquela obra. Além disso, o professor deve escolher obras condizentes à faixa etária desejada e também aquelas que possuem textos curtos e com boas ilustrações. Livros sem textos com linguagem visual também são importantes nesse processo.
Recomenda-se ainda que o professor deva conceder ao aluno a liberdade de escolher sua própria leitura. Explorar as obras da biblioteca é dar a ele a oportunidade de ler aquilo que mais lhe agrada. Essa leitura se aproxima da leitura individual e silenciosa.
4 CONCLUSÃO
Após as considerações a respeito da importância da leitura e o papel que a biblioteca representa dentro do contexto escolar e mais precisamente os procedimentos de como fazer um projeto de leitura na biblioteca, pode-se afirmar que apesar de toda a tecnologia, a leitura é a sustentação do aprender e apreender a realidade do mundo que nos cerca. É através dela que se pode chegar ao âmago do que é preciso conhecer, discutir, debater e fazer relações e correlações entre os pensares e dizeres dos que avaliam e estudam o real.
Os professores, ao realizarem e incentivarem os projetos de leitura encaminham seus alunos a se fortificarem nessa fonte inesgotável que é o conhecimento.
REFERÊNCIAS
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1997.
ANDRADE, Araci Isaltina de; BLATTMANN, Úrsula. Atividades de incentivo à leitura em bibliotecas escolares. Disponível em: WWW.ced.ufsc.br/~ursula/papers/leitura.html>. Acesso em: 1 jul. 2009.
BAGNO, Marcos. Pesquisa na escola: o que é, como se faz. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2001.
DE PAULA, Elaine; DE PAULA, Giovane; SILVEIRA, José Luiz Gonçalves da. A importância da leitura na educação infantil e séries iniciais como instrumento de informação, aprendizagem e lazer. Florianópolis, 2001. Disponível em: < http://74.125.95.132/search?q=cache:HOl0Yr920k0J:espejos.unesco.org.uy/simplac2002/Ponencias/SIMPLAC/SL028.doc>. Acesso em: 15 jun. 2009.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 29. ed. São Paulo: Cortez, 1992.
GRANDES Pensadores. Nova Escola, São Paulo, v. 1 /2, jul. 2008. Edição especial.
KUHLTHAU, Carol. Como usar a biblioteca na escola: um programa de atividades para o ensino fundamental. 2.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. |